domingo, 15 de julho de 2012

Eu etéreo

Sei lá menina, vezenquando eu sinto uma aura, uma presença, um sentimento de mim mesmo maior que aquele de todas as horas; isso me preenche, me deixa pleno, silencia a mente, cala os meus desejos, balsamiza os problemas. Sinto apenas uma força transbordante; gosto de estar nela, nada mais me importa quando estou ali, quando sou ali.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vela, celofane vermelho e pipocas

Vela, celofane vermelho embrulhando algumas pipocas e uma ou duas balas, eis a peça pitoresca que encontrei na minha andança para casa. Engraçado, no mínimo, mas perigoso talvez para iniciar um pequeno incêndio na vegetação rasteira ao meio-fio. Apaguei a vela com uma pisada. Seguindo o passo, vejo, antes da minha chegada na outra esquina, o mesmo artefato. Achando tudo aquilo mais engraçado, segui adiante, e sem muita demora deparo-me com mais um arranjo. No mesmo caso da primeira vela, apaguei a chama, só que desta vez com um sopro. E na outra esquina, a situação já estava ficando mais engraçada para mim, me motivando a fotografar com a câmera do celular. 


Segundo o “eu acho que” de alguém que encontrei no caminho, tratam-se de oferendas para maior movimento no comércio. Uma forma um tanto interessante para almejar a interferência no destino dos negócios. Ou alguma "simpatia" ou "despacho".   
No que toca a mim, um espiritualista sempre aberto para novos saberes, considero supersticioso a instanciação de propriedades mágicas a um objeto qualquer, que ele tenha propriedades espirituais que produzam interferências em acontecimentos, seja na vida de alguém ou no andamento dos negócios por exemplo. Tenho uma concepção muito diferente das conexões que existem entre o mundo espiritual e o mundo físico, nada comparado com tais atribuições mágicas a objetos ou a arranjos.
Bem, talvez a expectativa do artífice nem seja de que suas velas e embrulhos produzam resultados diretamente nas suas vendas, pode ser apenas um meio simbólico que nele desenvolva a disposição de agir com mais empenho no seu comércio. Mas tudo sugere que quem montou as peças nas esquinas pense que as velas e os embrulhos produzam efetivamente algo. Do mesmo modo que os católicos atribuem poderes espirituais aos seus santos ou quem usa colar de olho grego para espantar mau-olhado.
 Para quem tem cabeça filosófica pode ser divertido pensar como quatro arranjos daquele tipo são um pré-requisito, ou condição necessária, para um comerciante ter sucesso em suas vendas, quê tipo de propriedade existe aí, como pode o agente do arranjo instanciar tais propriedades, e assim por diante. Mas refletir sobre temas metafísicos é tema para outro de meus blogs.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Na fila do supermercado

Organizava minhas compras sobre o balcão do caixa do supermercado para rapidamente me livrar da cestinha que pendia em meu braço. O ato apressado fez com que uma compra minha fosse passada junto com as da moça que estava sendo atendida. Entre pedidos de desculpas, o meu item foi desmarcado da relação de compras dela, e no instante seguinte minhas coisas começaram a ser registradas, e sorrindo disse: “Nada que não pudesse ser solucionado!
Acho que muita coisa pode ser solucionada, menos uma”, disse a atendente.
Perguntei que coisa era essa, e ela disse: “A morte.”
Pareceu-me que ela fez questão em mencionar tal fato. Talvez tenha perdido alguém querido, mas como não a indaguei, então estou apenas conjeturando. Eu parei, pensei e disse: “Em certos aspectos, a morte tem solução sim, se caso existir a reencarnação.”
Será que existe?” perguntou ela com um sorriso.
E eu disse que sim, que inclusive existem provas que sugerem tal fenômeno, crianças que afirmam lembrar de vidas passadas, fornecendo informações precisas de pessoas falecidas, cujo conhecimento não foi adquirido pelos meios comuns.
Ela me olhou muito surpresa enquanto eu pegava minhas sacolas com as compras, e então eu disse antes de ir: “Algum dia voltamos, todos voltaremos.”
Ao sair do mercado fui tomado pela curiosidade de por que ocorrera o diálogo com a atendente. Qual o sentido que há por trás do acontecido. Sou um daqueles que acham que a vida não se esgota no material, mas que há muito mais coisas. No caminho de retorno para casa resolvi escrever este pequeno relato.